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Sim.
América Portuguesa & Games na História
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
A América Portuguesa e a presença Holandesa
No começo os portugueses não encontraram metais
preciosos, nem especiarias.
Do escambo à colonização
Com as expedições exploradoras, foi
descoberto o pau-brasil, a Coroa Portuguesa deu a exploração aos mercadores
que, em troca, fariam no litoral uma feitoria. Por sua vez, trocavam objetos
com os Tupiniquins, pelo pau-brasil. Os franceses também praticavam o escambo,
com os Tupinambás (tribo rival). Portugal enviou expedições policiadoras, que
combateram os franceses.
O comércio português com o Oriente
entrou em crise em razão da concorrência de outros países europeus. Então o rei
Dom João III iniciou a colonização no Brasil. Em 1530, a expedição de Martim
Afonso de Souza, que combateu os franceses, explorou o litoral brasileiro,
fundou São Vicente, (a primeira vila) e ergueu o primeiro engenho de açúcar, a
ocupação do território e capitanias hereditárias.
Administração colonial
Capitanias Hereditárias: esse sistema consistia na doação aos
donatários do direito de administrar e tirar proveito econômico de lotes de
terra na costa brasileira.
Documentos que organizavam juridicamente o
sistema de capitanias: A carta
de doação e o foral.
Cabia também aos donatários combater os índios de
tribos que tentavam resistir à ocupação do território. Em troca destes
serviços, além das terras, os donatários recebiam algumas regalias, como a
permissão de explorar as riquezas minerais e vegetais da região.
Em pouco tempo, entrou em crise. Tirando
Pernambuco, Bahia e São Vicente que progrediram pela produção de açúcar, as
demais fracassaram: falta de dinheiro para o progresso e a defesa; ataques de
corsários; grande extensão das terras; falta de comunicação entre elas; resistência.
Diante disso: A Coroa decidiu implantar,
um sistema centralizado, o Governo-Geral.
As capitanias continuaram existindo, mas subordinadas ao Governo-Geral,
principal representante do rei de Portugal no Brasil.
O Governo-Geral
O rei Dom João III escolheu a Bahia para
sede do Governo- Geral. Tomé
de Souza chegou à Bahia com
mil pessoas. Deu início à construção da cidade de São Salvador, a primeira
capital do Brasil. As autoridades chegaram às terras pensando
na expansão das fronteiras e da doutrina católica.Tomé de Souza escravizou os indígenas e
tomou suas terras. Construiu engenhos e trouxe de Cabo Verde o gado bovino,
distribuído aos colonos.
Duarte da Costa, o segundo governador do Brasil, veio para
solidificar o domínio português sobre a Nova Terra, combater os franceses e
catequizar os indígenas e esmagar sua resistência. Seu governo foi tumultuado
por conflitos entre colonos e jesuítas (estes se opunham à escravidão indígena).
Um grupo de huguenotes (calvinistas franceses), fundou uma colônia comercial "França Antártica". Aliando-se
aos Tupinambás, os franceses ganharam força para enfrentar os portugueses, que,
por sua vez eram aliados dos tupiniquins.
O terceiro governo foi o de Mem de Sá, aliando-se aos Guainá e os Termiminó, venceu a Confederação dos Tamaios (nativos
revoltados com a dominação). Ele apoiou os jesuítas para converter os indígenas, e pediu à metrópole reforços para combater a colônia
francesa instalada no Rio de Janeiro. Estácio de Sá, comandante das tropas
enviadas de Portugal e sobrinho do governador, fundou um forte, embrião da cidade de São Sebastião (RJ). Para facilitar o controle e a defesa, Portugal
dividiu: Governo do Norte, capital Salvador; e Governo do Sul, capital Rio de Janeiro. Sem o resultado
esperado reunificou a colônia (capital: Salvador).
Câmaras Municipais
Com o avanço da colonização, foram criados
órgãos, locais de administração: As Câmaras Municipais.
Para um indivíduo ser vereador, era preciso ter “pureza de sangue”, não podia descender de negros, judeus ou mouros. As Câmaras tinham poder de decisão sobre diversos setores da vida pública: cuidavam da administração municipal; da realização de obras públicas; da conservação das ruas e do abastecimento de gêneros e culturas da terra.
Para um indivíduo ser vereador, era preciso ter “pureza de sangue”, não podia descender de negros, judeus ou mouros. As Câmaras tinham poder de decisão sobre diversos setores da vida pública: cuidavam da administração municipal; da realização de obras públicas; da conservação das ruas e do abastecimento de gêneros e culturas da terra.
A economia colonial
Na colonização do Brasil, a
Coroa Portuguesa tinha pela frente três desafios: Escolher o produto que seria usado para impulsionar a
economia; buscar capital para financiar a produção; e conseguir mão de obra adequada ao trabalho.
O produto: Foi o açúcar de cana, elevado
valor na Europa. Os portugueses já tinham experiência. Os engenhos empregavam a
mão de obra africana escravizada. A partir dai construíram-se vários engenhos,
especialmente no nordeste.
O capital: O custo de instalação de um engenho era
elevado. No inicio os capitais usados eram holandeses, italianos e de Portugal.
Depois foram obtidos na própria colônia.
A mão de obra: Os engenhos usaram como escravos ou
indígenas capturados pelas guerras
justas. No inicio do século XVII, foram substituídos por africanos.
Principais razões: a alta lucratividade do trafico de africanos; a
habilidade dos africanos; a escassez de indígenas (por morte ou
fuga).
Diversificação agrícola: fumo, aguardente, pecuária, algodão e cacau
A lavoura
canavieira foi o principal setor da economia colonial. Mas no Brasil se
produzia também fumo, aguardente, carne, couro, farinha, algodão, cacau, anil,
que serviam tanto a exportação quanto ao mercado interno.
O tabaco,
planta domesticada pelos indígenas e usada em rituais, se tornou um produto de
grande aceitação colônia. No século XVII, era o segundo colocado nas
exportações brasileiras. Enquanto o fumo de primeira qualidade era consumido ou
vendido para Europa, o fumo de terceira era usado para conseguir escravos na
África.
Tal como
o fumo, a cachaça produzida em engenhos era muito consumida. Já a pecuária foi
responsável pela ocupação do sertão brasileiro e foi decisiva para economia
colonial. O algodão, cacau e anil, com importância na exportação. No século
XVIII, com a Revolução Industrial, as industrias inglesas compraram grandes
quantidades de algodão.
A sociedade colonial açucareira
No Brasil
colonial existiram varias regiões econômicas: a paulista (com seus bandeirantes
e indígenas) e a açucareira nordestina. Embora diferentes, tinham duas
características comuns: a escravidão, presente em quase todo o território
colonial, e uma hierarquia excludente que garantia direitos, poder e prestigio
a poucos.
Na
sociedade colonial açucareira além de escravista tinha os senhores de engenho
que eram livres e brancos e os trabalhadores das plantações eram escravos, negros
e quase sempre africanos. Mas entre administradores, técnicos e artesãos, havia
indivíduos escravos, libertos, livres, brancos, mestiços e negros.
Os senhores de engenho
Eram donos
da cana e das terras e faziam parte do grupo dominante da sociedade açucareira,
se consideravam a “nobreza da terra”.
No inicio
do século XVII, eram uma classe estruturada e unida por casamentos entre seus
membros. Eram o poder local, na esfera publica e na privada, onde impunham sua
vontade a todos os habitantes do engenho. A família senhorial era patriarcal.
Havia
homens livres que cultivavam a cana, mas por falta de recursos eram obrigados a
moê-la no engenho do proprietário, e por isso, eram chamados de “lavradores
obrigados”. Em troca eles entregavam ao senhor parte do açúcar obtido e ainda
pagavam a ele o aluguel.
Os comerciantes
Se a
propriedade da terra dava poder e prestigio ao seu possuidor, o comércio
possibilitava riqueza. Grandes comerciantes enriqueciam ao vender produtos
locais (açúcar, tabaco e algodão) para a Europa e revender produtos chegados de
Portugal (vinho, queijos e doces). Outros comercializavam a produção colonial
destinada ao mercado interno (bois, mulas, cachaças, farinha, milho, marmelada).
Mas
muitas fortunas foram feitas com o comercio de africanos. Enriquecidos por meio
do trafico atlântico, comerciantes compravam navios e casarões e forneciam empréstimos
aos senhores de engenho para a compra de escravos e/ou equipamentos. Dessa
forma, alguns conseguiam comprar terras e montar engenhos; outros obtinham mais
rapidamente o titulo de senhor de engenho casando com filhas de grandes
proprietários.
Escravizados
Para o padre
Antonil, os africanos escravizados eram “as mãos e os pés dos senhores de
engenho”. Apesar disso, na sociedade colonial açucareira, seus direitos eram
quase inexistentes.
[...]
Incapazes de firmar contratos, dispor de suas vidas e possuir bens, defender-se
e à sua família dos maus-tratos do proprietário, testemunhar contra homens
livres, escolher seu trabalho e empregador, e limitados pela lei e pelos
costumes de inúmeros outros modos, os cativos permaneceram [...] em situação
mais desvantajosa a sociedade.
População
escravizada estava assim distribuída: escravos do campo (agricultores,
criadores e condutores de boiadas, pescadores, caçadores, carroceiros etc.)
constituíam 80% do total; trabalhadores de fabricação do açúcar correspondiam a
10%; os domésticos (cozinheiras, faxineiras, camareiras etc.) e artesão
(oleiros, pedreiros, ferreiros), juntos, compunham os outros 10%. Os escravos
de campo e os domésticos também trabalhavam na fabricação do açúcar.
Os trabalhadores assalariados
Assalariados
dividiam com os escravos a tarefa no engenho, para trabalhar em funções
especializadas, com a de mestre de açúcar, ou realizar serviços que os donos de
engenho não confiavam a escravos, com o de feitor. Por isso se diz que o
conhecimento e o serviço dos trabalhadores assalariados eram decisivos para o
funcionamento dos engenhos.
Dentre
eles, os feitores e os especialistas no fabrico do açúcar eram os mais bem
remunerados e respeitados. O salario era anual, e quando pago em dinheiro,
chamava-se soldada seca.
Geralmente, o alojamento e alimentação eram descontados do salario dos
trabalhadores livres, o que limitava significativamente seus ganhos.
HOLANDESES NO NORDESTE
No século
XVII, os holandeses invadiram o Nordeste açucareiro por duas vezes. Para
compreendermos precisamos relaciona-las ao contexto europeu do século
anterior.
No inicio
do século XVI, a região onde é hoje a Holanda pertencia ao Império Espanhol e
fazia parte dos Países
Baixos Espanhóis; a região era próspera e se destacava por suas
manufaturadas, sua indústria naval e marinha mercante.
O império
Espanhol que, era imenso, ficou ainda maior em 1580: o rei
espanhol Felipe II ordenou que seus soldados invadissem Portugal e anexou-o. O controle da Espanha sobre Portugal e suas colônias ficou
conhecido com União das Coroas
Ibéricas e durou até 1640.
Durante esse período, os adversários da Espanha tornaram-se também os de Portugal, por exemplo, os Países Baixos
espanhóis.
Os holandeses conquistaram a independência
Para
custear suas guerras na Europa, Felipe II aumentou os impostos cobrados nos
Países Baixos espanhóis e lançou violenta campanha de perseguição aos
protestantes dali. Os habitantes de 7 províncias do norte dos Países Baixos – maioria
protestantes – reagiram entrando em guerra contra a Espanha. Em 1581,
proclamaram a independência, constituindo a República das Províncias Unidas –
ou simplesmente Holanda.
A guerra pelo açúcar e pelo tráfico atlântico
Após a
independência, os mercadores holandeses continuaram minando poderio espanhol e,
em 1602, criaram a Companhia
das Índias Orientais, que visava a conquista dos domínios luso-espanhóis na
Ásia. Diante, disso, Felipe II proibiu os holandeses de comerciar com Portugal
e suas colônias. Os holandeses, decidiram invadir as colônias portuguesas na
África e América. Para isso criaram, em 1621, a Companhia das Índias Ocidentais,
na qual principais alvos eram o controle sobre o açúcar do Nordeste do Brasil –
maior produtor mundial de açúcar, na época – e os postos de fornecimento de
escravos no território africano.
Invasão da Bahia
A
primeira invasão dos holandeses ocorreu na Bahia, que, além de possuir muitos
engenhos em pleno funcionamento, era o centro politico do Brasil. Eles chagaram
a Salvador em maio de 1624, prenderam o governador português e o substituíram
pelo holandês Van Dorth. A população luso-brasileira, por sua vez, retirou-se
para o inteiror e lá organizou a resistência.
O líder
dessa resistência, o bispo Dom Marcos Teixeira, apresentava a luta contra os holandêses
como uma cruzada contra os hereges, ainda mais que os invasores eram
protestantes.
A tática
da resistência foi a guerra de
emboscadas: divididos em pequenos grupos, os combatentes saiam das matas e
se lançavam sobre o inimigo de surpresa, impedindo assim o seu avanço rumo à
região dos engenhos.
A
Espanha, por sua vez, enviou ao Nordeste brasileiro uma esquadra, comandado por
Dom Fradique de Toledo Osório, que forçou os holandeses a bater em retirada, em
1625. Dois anos depois, eles voltaram a atacar: liderados por Pieter Heyn,
saquearam o porto de Salvador levando consigo açúcar, fumo, algodão e
pau-brasil. E, na volta para a Holanda, capturaram a frota de prata espanhola,
que transportava a produção anual desse metal do vice-reinado do Peru para a
Espanha.
Invasão de Pernambuco
Com os
saques realizados, os holandeses reuniram recursos e invadiram novamente o
Nordeste açucareiro, mas dessa vez o alvo foi Pernambuco.
Em
fevereiro de 1630, desembarcaram no litoral Pernambuco e conquistaram Olinda e
Recife com relativa facilidade. Sob a liderança de Matias de Albuquerque, a população local destruiu tudo que pudesse
ser útil aos invasores e se retirou para o interior. Lá, ergueu o Arraial do
Bom Jesus, quartel-general de onde deviam partir os ataques aos holandeses.
A tática da resistência luso-brasileira
foi, mais uma vez, a guerra de emboscadas; com vários índios, negros e brancos
pobres, essa resistência empenhou-se em controlar o interior, onde estavam os
engenhos, e isolar os invasores no litoral. Foram ajudados por moradores
locais, entre os quais Domingos Fernandes Calabar, que conhecia bem a região. Palmares,
em terras do atual estado de Alagoas.
Para voltar a lucrar com o açúcar
brasileiro, os holandeses precisavam reativar a produção e organizar a
administração nas áreas conquistadas. Para isso, 1637, o conde João Maurício de
Nassau-Siegen foi nomeado governador dos domínios da Holanda na região.
O governo de Nassau
Adotando uma política de conciliação de
interesses, Maurício de Nassau tomou 3 medidas decisivas para a sua
administração:
a) Forneceu aos senhores de engenho
empréstimos e credito para compra de equipamentos e de escravos, conseguindo
assim o apoio de boa parte desses senhores;
b) Defendeu
a tolerância religiosa: Nassau era protestante, mas permitiu que católicos e
judeus praticassem suas religiões livremente, animando-os a colaborar com os
holandeses;
c) Ordenou a tomada de importantes
entrepostos de escravos do litoral africano.
Em 1641, os domínios holandeses abrangiam
territórios que iam de Sergipe ao Maranhão e incluíam os mais importantes
entrepostos de escravos africanos no século XVII. Negociando escravos e açúcar,
os holandeses ampliaram enormemente seus lucros.
Artistas e
cientistas e do Brasil holandês
Nassau incentivou a produção cultural,
trazendo para o para o país pintores, (Albert Eckhout e Frans Post) que
retrataram plantas, animais, pessoas e edificações do Nordeste brasileiro.
Além de pintores, ele trouxe cientistas
que se dedicaram ao estudo da região, (Georg Marcgraf) que documentou a flora e
a fauna; e o médico (Willem Piso), que pesquisou doenças; letrados, (Elias
Herckman) que escreveu um precioso relato sobre a Capitania da Paraíba.
O governo de Nassau instalou sua capital
em Recife e ali uma serie de importantes obras: calçou ruas; abriu canais por
onde transitavam barcas, mercadorias e pessoas; drenou áreas alagadiças;
construiu pontes que ligavam o antigo porto à Ilha de Antônio Vaz e esta ao
continente. Nessa ilha, criou um jardim botânico, um zoológico e construiu o
Palácio das Torres (Palácio de Friburgo), residência oficial e sede do governo.
A esse conjunto de obras deu-se o nome de
Cidade Maurício (atualmente bairro de Santo Antônio).
A Restauração em Portugal
Enquanto os holandeses lucravam com o
açúcar brasileiro, Portugal encontrava-se exaurido economicamente e culpava a
União Ibérica. Diante disso, os portugueses promoveram uma revolta separatista,
em 1640, e se libertaram da Espanha – Restauração.
Dom João IV, da dinastia de Brança, ocupou o trono de Portugal e, no ano
seguinte, firmou com a Holanda um acordo de paz por 10 anos.
Assim, os diretores da Companhia das
Índias Ocidentais exigiram que Nassau endurece contra os donos de engenhos no
Brasil. Por discordar de seus superiores, Maurício de Nassau deixou o Brasil em
1644.
A luta contra os holandeses
Holandeses mostraram-se intolerantes.
Confiscaram terras dos senhores do engenho endividados e proibiram a livre
prática da religião católica. Reagindo a isso os senhores luso-brasileiros
engajaram-se me 1645, numa guerra contra os holandeses: a insurreição
Pernambucana.
Nos confrontos que
se seguiram, os luso-brasileiros conseguiram vitórias surpreendentes, entre
elas a Primeira Batalha de Guararapes, em 1648. No mesmo ano, a esquadra de
Salvador Correia de Sá, organizada com recursos de mercadores cariocas, partiu
do Rio de Janeiro e conseguiu retomar os entrepostos de escravos da Ilha São
Tomé e da Luanda e Benguela, em Angola. No ano seguinte, uma nova vitória: a
Segunda Batalha dos Guararapes, que foi decisiva no curso da luta. A
guerra se prolongou até 1654, quando os luso-brasileiros venceram os holandeses
na Campina da Taborda (Pernambuco), forçando-os as deixar o país.
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